A indústria dos media está preocupada com a confiança do público e por isso valoriza mais informação precisa do que informação em primeira mão.

Esta é a principal conclusão do estudo “O Estado dos Media 2018” da Cision – O relatório que revela anualmente as maiores tendências e desafios que se colocam à indústria dos media e aponta as melhores estratégias para os profissionais da comunicação se relacionarem com jornalistas e outros influenciadores.

As notícias falsas e a desinformação estão na base da preocupação da indústria com a sua própria credibilidadequando questionados se o público ganhou ou perdeu confiança nos media durante o ano passado, 71% dos jornalistas e influenciadores entrevistados, disseram que acreditavam que o público tinha perdido confiança.

Contudo, o facto deste número ter baixado 20% em relação aos 91% do relatório do ano passado, demonstra que, apesar de continuarmos a assistir a um forte sentimento anti media protagonizado, inclusivamente, por vários políticos mundiais, há uma expetativa positiva por parte dos media, por sentirem que o público está lentamente, mas com segurança, a apoiar novamente as instituições jornalísticas de base.

O facto de 56% dos jornalistas que responderam a este inquérito, dizerem que as notícias falsas estão a tornar os leitores mais céticos em relação aos conteúdos que leem, leva consequentemente ao aumento da preocupação e da importância dos padrões jornalísticos, particularmente a precisão das fontes de informação.

E assim se justifica o facto de 75% dos entrevistados afirmarem que, assegurar que o conteúdo que publicam é 100% preciso é o mais importante para as suas organizações – mais do que serem os primeiros a publicar uma história. Apenas 10% disseram que a serem os primeiros a publicar é mais importante, uma descida de 3% em comparação com os 13% de 2017.

A tecnologia vai continuar a estar na base da transformação da indústria dos media: quando questionados sobre o que vai mudar mais no seu trabalho, 34% responderam os algoritmos atualizados das redes sociais; 26% disseram melhores e mais baratas tecnologias de produção de vídeo e 21% disseram Inteligência artificial e machine learning aplicada no back end (por exemplo na análise do comportamento das audiências face aos conteúdos e na análise preditiva de tendências).

Para as marcas, uma das áreas mais úteis deste relatório, é a que se foca na relação entre profissionais da comunicação/relações públicas e jornalistas/influenciadores.

Neste capítulo, há revelações importantes que podem pautar todo o trabalho tático e estratégico.

A boa notícia é que os media continuam a recorrer a profissionais de relações públicas de confiança para obter informação precisa e de interesse noticioso. Para construir melhores relações com os media é necessário entender o contexto editorial de cada órgão de comunicação social, enviar dados e fontes de informação credíveis no momento certo, necessito, adaptar a história a cada necessidade, não fazer spam e incluir multimédia em cada pitch.

Quando questionados os jornalistas sobre o que querem receber dos profissionais das relações públicas, 63% responderam que pretendem anúncios de novidades e press releases. Além disso, quase metade (44%) disseram que o press releases são a sua fonte mais confiável de notícias para informação relacionada com marcas.

Para tornar um press release mais eficaz, 45% dos media recomendam aos profissionais de comunicação e RP terem um gancho noticioso claramente definido e 27% recomendam escrever num tom coloquial, evitando o uso de gíria.

Hoje em dia, os jornalistas podem obter notícias de uma variedade de fontes. Por isso, os profissionais de RP não podem relaxar –  se não derem aos jornalistas o que eles querem, estes podem rapidamente ignorara-los e preferir outras formas para obter a informação de que necessitam.

Em suma, apesar do contexto desfavorável que a proliferação de fontes de informação, desinformação e notícias falsas alimentam, há uma clara consciência da indústria que a confiança do público se ganha com um trabalho mais rigoroso e mais preciso, o que desafia os profissionais da comunicação e as marcas que representam a criar histórias envolventes, credíveis e precisas, que tenham a capacidade de recuperar a confiança do público nos media.

O relatório “O Estado dos Media 2018” é baseado num inquérito global a jornalistas e influenciadores, focando-se nas suas perceções das indústrias dos media e comunicação.

O estudo anual da Cision destaca as questões-chave que concentram as atenções dos media tradicionais e dos influenciadores para ajudar os comunicadores e profissionais de Relações Públicas (PR) a relacionarem-se melhor com os media e obterem melhores resultados.

A amostra do estudo é constituída por um total de 1 355 indivíduos de todos o mundo dos quais, 651 trabalham em órgãos de comunicação social de imprensa, 267 online, 208 em tv e rádio, 194 são bloguers ou freelancers e 35 são influenciadores nos social media.

O trabalho de campo para o estudo foi realizado no período compreendido entre 1 e 28 de fevereiro de 2018. As questões foram enviadas por-email para contactos registados na base de dados global da Cision de influenciadores e identificados como jornalistas, bloguers ou outros influenciadores. O questionário esteve também disponível na plataforma PRNewswire para jornalistas.

 

About Uriel Oliveira

É vice presidente da Cision Portugal, coordena as unidades operacionais da organização e é responsável pelo desenvolvimento do negócio, inovação, marketing e plano global de comunicação.
É licenciado em comunicação empresarial e trabalha em media intelligence há 24 anos.
Responsável pela gestão de contas de grandes clientes empresariais, instituições governamentais, particularmente na negociação, desenvolvimento de projetos e relacionamento institucional.
Adora trabalhar em novos projetos, desenvolver novas ideias e estar em contacto permanente com os clientes.
Gosta de viajar, conviver, de música e de gastronomia.