A proprietária de títulos como o Jornal de Notícias, Diário de Notícias, O Jogo e TSF anunciou o despedimento de 81 trabalhadores, dos quais 17 são jornalistas. Segundo a administração da Global Media Group, em comunicado enviado na passada sexta-feira, dia 30, esta decisão foi tomada devido à “evolução acentuadamente negativa do mercado dos media, agora mais evidente com a presente pandemia”, que “precipitou os meios de comunicação social numa crise sem precedentes a que importa responder com fortes medidas de contenção”.

José Pedro Soeiro, presidente do conselho de administração, assegura que com esta medida o grupo pretende, “regressar a um nível económico e financeiro saudável, garantir a proteção de várias centenas de postos de trabalho e a continuidade dos inestimáveis serviços que os nossos meios de informação, alguns deles centenários, vêm prestando à comunidade, com qualidade e independência”.

De salientar que, na sequência da pandemia, a Global Media recorreu ao lay-off, no qual foram abrangidos 538 trabalhadores, e também beneficiou dos apoios estatais à comunicação social, recebendo cerca de 1 milhão de euros em compra antecipada de publicidade institucional.

O Sindicato dos Jornalistas, pela voz de Sofia Branco, em declarações à Antena 1, refere: “este grupo beneficiou do lay off em situação de pandemia e deixou passar o prazo que o lay-off previa contra os despedimentos e despediu”. Para o SJ, “os despedimentos e a degradação das condições de trabalho não podem ser a única resposta das administrações para resolver dificuldades económicas.”

Também o PCP declarou, em comunicado emitido no passado sábado, que se trata de uma, “decisão inaceitável, com graves custos e efeitos sociais para os atingidos e a generalidade dos trabalhadores, e que contribui para aprofundar a degradação do sector da comunicação social, a sua qualidade e pluralismo”.

Para o partido, a Global Media “está a comprovar que, nas condições do domínio dos grupos económicos, a chamada ‘crise dos media’ é sobretudo uma oportunidade e um instrumento de concentração capitalista e de poder, de mais exploração, degradação das condições de trabalho e regressão das liberdades de imprensa e informação, em vez de mais participação, democracia e progresso social, como é verdadeiramente necessário”.

Sendo assim, o partido exige mesmo a “suspensão e reversão imediatas” do despedimento coletivo naquela empresa e “proclama a urgência de fazer respeitar a Constituição da República relativamente ao impedimento da concentração monopolista na comunicação social”.

Recorde-se que este é já o terceiro processo de reestruturação levado a cabo pela Global Media. Os dois anteriores ocorreram em 2009 e 2014, tendo nessa altura sido despedidos 122 e 140 trabalhadores respetivamente. O Grupo obteve ainda vários “perdões de dívida” a bancos, investimentos de capital estrangeiro no valor de 15 milhões de euros e vendeu o edifício histórico do Diário de Notícias situado na Avenida da Liberdade, em Lisboa.

Já em setembro de 2020, Marco Galinha, fundador do grupo Bel, chegou a acordo para passar a deter 10,5% das ações, assumindo na altura a vontade de se tornar acionista maioritário (51%).

Os trabalhadores abrangidos por esta medida já começaram a ser notificados pela empresa.

About Lúcia Pereira

Licenciada em Relações Internacionais, entrei para a Cision (então Memorandum) em fevereiro de 1998 para realizar um estágio profissional. Entre 1998 e 2009 desempenhei funções sobretudo na área do clipping e edição de texto (Departamento de Produção). Em 2009 fui convidada a ingressar no Departamento de Research e assim responder a um novo desafio e função na empresa - a de Media Researcher.
No meu tempo livre gosto de ir à praia, de caminhar e de séries cómicas, sobretudo gosto do humor inteligente onde a crítica e o elogio às diferentes áreas da sociedade é feito não só com o intuito de nos divertir mas sobretudo de nos fazer pensar "fora da caixa".